ODC — Cultura, Patrimônio e Memória
Um museu virtual dedicado à preservação, à documentação, à pesquisa, à comunicação e à educação a partir da memória da capoeira.
A memória da capoeira permanece viva porque continua em movimento.
1. O museu e o Grupo Internacional Oficina da Capoeira
Texto de abertura do museu
A ODC — Cultura, Patrimônio e Memória é Um museu virtual dedicado à preservação, à documentação, à pesquisa, à comunicação e à educação a partir da memória da capoeira e dos bens culturais associados a essa manifestação. Sua origem está no conjunto de bens culturais reunidos e preservados por Mestre Ray ao longo de sua trajetória.
O museu nasce para organizar, contextualizar e tornar acessíveis, de maneira pública e responsável, registros históricos e contemporâneos relacionados a mestres, comunidades, rodas, musicalidade, documentos, objetos, eventos e trajetórias da capoeira no Brasil e em outros países. Reúne livros fundamentais, discos, fotografias, vídeos, instrumentos, documentos e outros testemunhos que ajudam a compreender não apenas como a capoeira é praticada, mas também suas origens, seus significados e sua presença na formação cultural brasileira.
Mais do que um repositório, a ODC — Cultura, Patrimônio e Memória é um espaço de encontro entre gerações, pesquisa, aprendizagem e reconhecimento. A plataforma é aberta a capoeiristas e não capoeiristas, pesquisadores, educadores, estudantes, crianças, jovens, comunidades e a todas as pessoas interessadas em conhecer a história, a diversidade e os saberes da capoeira.
Sobre o Grupo Internacional Oficina da Capoeira
A ODC — Cultura, Patrimônio e Memória nasce da trajetória do Grupo Internacional Oficina da Capoeira, fundado por Mestre Ray em Belo Horizonte, em 1996. Desde sua origem, o grupo compreende a capoeira como prática corporal, linguagem educativa, forma de preservação de identidades e expressão cultural afro-brasileira.
Ao longo de três décadas, a Oficina da Capoeira construiu uma rede de formação e intercâmbio que ultrapassou os limites de Minas Gerais e alcançou diferentes regiões do Brasil e outros países. Mestres, professores, instrutores e alunos mantêm vivo um trabalho baseado na transmissão de saberes, no respeito às tradições, na formação ética e na capacidade da capoeira de criar vínculos comunitários.
O Grupo Internacional Oficina da Capoeira é certificado como Ponto de Cultura no âmbito da Política Nacional Cultura Viva. Esse reconhecimento institucional se soma a um trabalho cultural desenvolvido continuamente muito antes das certificações: formar pessoas, promover encontros, preservar documentos e fortalecer a capoeira como patrimônio coletivo.
O acervo reunido por Mestre Ray e pela ODC guarda memórias de comunidades, eventos, mestres e capoeiristas cujas trajetórias nem sempre alcançaram os arquivos oficiais. Transformar esse patrimônio em um museu acessível é uma continuidade do trabalho que o grupo já realizava pela prática, pela oralidade, pelo ensino e pela circulação da cultura.
2. Programa institucional — Missão, Visão e Valores
Missão
Preservar, organizar, pesquisar, contextualizar e tornar acessível a memória da capoeira como patrimônio vivo da cultura afro-brasileira, assegurando que os conhecimentos produzidos por gerações de mestres, capoeiristas e comunidades possam ser conhecidos, estudados, compartilhados e transmitidos.
A missão da ODC — Cultura, Patrimônio e Memória decorre de uma trajetória de quase cinco décadas de coleta e cuidado. O museu dá função pública a esse patrimônio, criando condições para que fontes raras, registros históricos, objetos e saberes estejam a serviço da pesquisa, da educação, da comunidade da capoeira e da sociedade.
Visão
Consolidar-se, ao longo dos próximos dez anos, como uma referência nacional e internacional na preservação, na pesquisa e na difusão da memória da capoeira, articulando o museu digital e o espaço físico em uma experiência integrada, acessível e socialmente relevante.
A plataforma digital amplia o acesso para pessoas em diferentes lugares, enquanto o espaço físico favorece a convivência, a experiência sensível com os objetos e o encontro entre gerações. Juntos, esses ambientes deverão ampliar continuamente as coleções, fomentar pesquisas, produzir ações educativas e culturais e contribuir para que a capoeira evolua sem romper com os fundamentos e tradições que lhe dão sentido.
Valores
Ancestralidade como fundamento
A capoeira não começa em nós. O trabalho do museu reconhece e reverencia as raízes africanas e afro-brasileiras que sustentam essa cultura. Preservar a memória é enfrentar o apagamento; fazê-la circular é contribuir para sua continuidade.
Acesso ao conhecimento como direito
O conhecimento reunido pelo museu deve alcançar a comunidade da capoeira e toda a sociedade. A ODC atua para ampliar o acesso a fontes históricas, raras e relevantes, observando os direitos autorais, os direitos de imagem e os contextos culturais de cada item.
Rigor, cuidado e responsabilidade
Preservar com responsabilidade, organizar com método e disponibilizar com contexto são formas de respeito às pessoas, às comunidades e às histórias representadas nas coleções.
Diversidade de públicos e perspectivas
O museu acolhe capoeiristas e não capoeiristas, pesquisadores, educadores, crianças, jovens, adultos, instituições e comunidades. A capoeira é plural, e sua memória deve representar diferentes trajetórias, territórios, estilos, gerações e formas de participação.
Continuidade e transformação
A ODC busca crescer sem perder sua essência: ampliar as coleções, dialogar com novas linguagens e tecnologias e criar projetos culturais e educativos, mantendo o compromisso com os fundamentos da capoeira e com sua transmissão entre gerações.
3. Biografia de Mestre Ray
Mestre Ray
Mestre de Capoeira · Educador · Advogado · Guardião da Cultura Afro-Brasileira
Raimundo Ferreira de Sousa, conhecido no universo da capoeira como Mestre Ray, nasceu em 15 de agosto de 1962, em Ribeirão do Jorge, distrito de Gonzaga, Minas Gerais. Mestre de capoeira, mestre da cultura popular, educador e advogado, reúne em sua trajetória a formação de capoeiristas, a preservação da memória afro-brasileira e a atuação jurídica em defesa do patrimônio cultural. É membro consultor da Comissão de Defesa do Patrimônio Cultural da OAB/MG.
Seu encontro com a capoeira ocorreu ainda na infância, depois de já ter iniciado a prática de karatê e judô. Ao ver um homem em bananeira e ouvir o som do berimbau, reconheceu naquela expressão uma ligação profunda com a cultura brasileira e com o povo do qual fazia parte. Aos poucos, deixou as outras modalidades para dedicar-se integralmente à capoeira, que se tornou seu ofício, sua missão e seu caminho de vida.
Desde o início, Mestre Ray associou a prática corporal à busca intelectual. Para ele, conhecer a origem, o significado e a história de uma prática é essencial para ensiná-la e vivê-la com consciência. Essa convicção orientou sua formação como mestre e também a reunião de livros, discos, fotografias, vídeos, documentos, instrumentos e objetos que, décadas depois, dariam origem ao Museu da Capoeira.
Em 1996, fundou o Grupo Internacional Oficina da Capoeira, concebido como espaço de trabalho, formação e construção coletiva. O nome “Oficina” traduz a ideia de que o aprendizado é um processo contínuo de lapidação. A partir de Belo Horizonte, o grupo expandiu sua atuação pelo Brasil e por outros países, formando uma rede internacional baseada no respeito às tradições, no compromisso educativo e na abertura ao intercâmbio cultural.
Mestre Ray também idealizou o Festival Internacional de Capoeira – FIC, criado como território de encontro entre capoeiristas de diferentes linhagens, escolas e lugares. Em 2026, o festival completa trinta anos de atuação, reunindo gerações, promovendo intercâmbios e ampliando a presença pública da capoeira em Minas Gerais.
Hoje, Mestre Ray permanece à frente da ODC e do FIC, atua na formação de novas gerações, coordena projetos sociais e mantém seu trabalho jurídico voltado à defesa do patrimônio cultural. A ODC — Cultura, Patrimônio e Memória nasce desse percurso e do entendimento de que um patrimônio só cumpre plenamente sua função quando é preservado, contextualizado e compartilhado com a sociedade.